Íntegra
Um estudo recente da plataforma Brandwatch identificou sinais de uso de robôs para impulsionar manifestações virtuais em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a controvérsia gerada pela homenagem prestada a ele pela escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro. A escola terminou na última posição e foi rebaixada pelos jurados.
O levantamento revelou que, entre 15 e 18 de fevereiro, perfis no X apresentaram padrões considerados inorgânicos.
O usuário @Warley_Lopes, por exemplo, realizou 5.969 publicações nesse período, chegando a quase 400 postagens por hora.
Outros perfis também ultrapassaram 3 mil mensagens cada, enquanto os mil usuários mais ativos somaram mais de 200 mil interações em apenas quatro dias.
Entre as principais características observadas nesses perfis, destacam-se o predomínio de retuítes em relação a conteúdo próprio, altos volumes de atividade em curtos períodos, e concentração de mensagens em torno da defesa do governo Lula e ataques a adversários, além de temas como Carnaval e, ocasionalmente, o BBB.
No relatório, os responsáveis pelo monitoramento afirmam que "o conjunto de evidências aponta para comportamento incompatível com padrões usuais de engajamento espontâneo e reforça a hipótese de mobilização artificial coordenada ou de automatização parcial na amplificação do debate digital depois do desfile".
A Brandwatch realizou um levantamento, entre 21h de domingo 15 e 17h de segunda-feira 16, e identificou 242.630 menções ao tema em redes sociais, portais, blogs e outros canais digitais, alcançando aproximadamente 1,1 bilhão de pessoas.
Entre as menções analisadas, 39% apresentaram teor negativo sobre a homenagem ao presidente Lula, enquanto 35% expressaram sentimento positivo e 26% se mantiveram neutras.
Diferentes grupos políticos influenciaram as avaliações, refletindo o ambiente polarizado das discussões on-line.