Benefício fiscal para kits de elétricos e híbridos da China chega ao fim

quarta-feira 4 fevereiro de 2026, às 13h 05min
Benefício fiscal para kits de elétricos e híbridos da China chega ao fim
Resumo

O benefício fiscal para a importação de kits de carros elétricos e híbridos da China terminou em 31 de janeiro, retornando tarifas de 16% para CKD e 18% para SKD. A Anfavea pressionou o governo, citando impactos negativos para o emprego e a produção local. A BYD planeja transitar para produção completa em 2026, enquanto a GWM ressalta a integração de fornecedores brasileiros.


Íntegra

O benefício fiscal para a importação de kits desmontados de carros elétricos e híbridos da China chegou ao fim. Até 31 de janeiro, as montadoras tinham isenção do Imposto de Importação sobre os componentes, mas a medida valia apenas por seis meses, já que foi adotada após um pedido da BYD ao governo brasileiro.

Isso significa que desde 1º de fevereiro, as tarifas de importação voltaram com força total: agora, os kits CKD (totalmente desmontados) voltam à alíquota de 16%, e os SKD (semidesmontados) ficam em 18%., conforme a tabela da Camex (Câmara de Comércio Exterior). O imposto dos CKD deve subir para 35% no ano que vem.

O benefício temporário veio para dar fôlego a marcas como BYD e GWM, que tinham acabado de chegar ao Brasil e precisavam de incentivos fiscais enquanto passavam pela fase inicial de implantação das suas fábricas. Só que, enquanto isso, o governo foi pressionado a não prorrogar o benefício.

O que acontece é que a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) publicou um estudo que mostrou projeções negativas para o país se o uso dos kits desmontados continuasse — a troca da produção plena pela montagem dos kits poderia custar quase 69 mil empregos diretos.

Para a entidade, a continuidade do modelo colocava riscos aos investimentos em produção complexa, bem como a pesquisa e o desenvolvimento. Na prática, o processo afetaria até a engenharia local e, claro, a arrecadação de impostos. Por isso, a instituição pressionou o governo a não seguir com o benefício fiscal.

A BYD afirmou ao Uol que pla neja avançar para a produção completa em 2026 conforme as obras em Camaçari (BA) avançam. A GWM, por sua vez, declarou que a montagem dos carros é feita "peça por peça", com pintura local e participação de fornecedores brasileiros desde o início do processo.


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