Íntegra
O senador Renan Calheiros (MDB-AL) acusou, nesta quarta-feira, 4, os "dirigentes da Câmara" e o centrão de pressionarem o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central (BC) a aprovarem a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). A autoridade monetária, entretanto, barrou a negociação.
Durante a instalação de um grupo de trabalho na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para investigar o caso Master, Calheiros, que é presidente do colegiado, afirmou que o TCU foi "chantageado à luz do dia" por autoridades que pediam o aval do órgão ao à operação. Contudo, o emedebista não citou nomes nem partidos.
"O Tribunal de Contas foi chantageado para validar a liquidação, abertamente, à luz do dia", disse o senador. "Os dirigentes da Câmara tentaram votar a elevação do FGC para R$1 milhão, como parte dessa pressão. E tentaram votar uma alteração na lei que tornou o Banco Central independente, para que o Congresso Nacional exonerasse o presidente do Banco Central, sob a pressão de autorizar a compra do Master pelo BRB."
O parlamentar firmou que a comissão vai requisitar todos os documentos relacionados ao caso. De acordo com ele, isso inclui o pedido para que o ministro Dias Toffoli, relator do inquérito do Banco Master no Supremo Tribunal Federal, retire o sigilo sobre a investigação.
O presidente da CAE atribuiu a dimensão que tomou a fraude do Master a uma "sonolência lisérgica dos órgãos de fiscalização".
O senador falou da pressão do banco de Daniel Vorcaro sobre ministros do TCU. Nesse sentido, citou uma suposta influência do banco sobre a escolha da presidência da Comissão de Valores Mobiliários.
"Com investigações incipientes, está claro que o maior ativo controlador do Master — eu já disse isso e queria repetir — não era o Certificado de Depósito Bancário (CDB), mas os CDBs que eram 'Certificados de Defesa e Blindagem'", disse o senador.