Casos de pancreatite por canetas emagrecedoras crescem e atingem mais mulheres

terça-feira 10 fevereiro de 2026, às 09h 30min
Casos de pancreatite por canetas emagrecedoras crescem e atingem mais mulheres
Resumo

O Brasil registrou 145 notificações de suspeitas de pancreatite ligadas a "canetas emagrecedoras" entre 2020 e 2025, com três quartos dos casos em mulheres. O aumento contínuo ao longo dos anos é acompanhado pela Anvisa, que alerta para os sintomas da doença. Desde 2025, a retenção de receita médica passou a ser obrigatória para esses medicamentos.


Íntegra

O número de notificações de suspeitas de pancreatite em pessoas que utilizaram medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras" vem crescendo no Brasil nos últimos anos, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em levantamento feito pela agência, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados à pancreatite entre 1º de janeiro de 2020 e 7 de dezembro de 2025. De acordo com a Anvisa, cerca de três em cada quatro notificações se referem a pacientes mulheres.

As notificações aumentaram de forma contínua ao longo do período analisado. Em 2020, houve apenas um registro. Em 2021, foram 21 notificações. Em 2022, o número subiu para 23. Em 2023, foram 27 registros. Em 2024, 28. Já em 2025, foram 45 notificações suspeitas.

Os registros envolvem medicamentos cujos princípios ativos são semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida, presentes em produtos como Ozempic, Saxenda, Mounjaro, Wegovy, Trulicity, Victoza e Xultophy.

Do total de notificações recebidas, seis foram reportadas com desfecho suspeito de óbito, conforme informado pelos notificadores à Anvisa. A agência destaca, no entanto, que os dados correspondem a suspeitas iniciais e que não é possível afirmar que os medicamentos tenham sido a causa direta dos quadros. A investigação individual é conduzida pelas vigilâncias locais e pelas equipes médicas responsáveis pelos pacientes.

A Anvisa explica que acompanha esses registros como parte do monitoramento de segurança dos medicamentos após sua entrada no mercado. Segundo a agência, a possibilidade de pancreatite já consta na bula desses produtos no Brasil como evento adverso potencial.

Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos passou a exigir retenção da receita médica nas farmácias, após o aumento do uso sem acompanhamento profissional.

A orientação é que pessoas em tratamento procurem atendimento médico imediato diante de dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando a dor se irradia para as costas e vem acompanhada de náuseas e vômitos, sintomas característicos de pancreatite. Em caso de confirmação da doença, o medicamento não deve ser retomado.


Link da Notícia