Íntegra
A CPMI do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vai ouvir, nesta segunda-feira, 23, a empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos. Ela foi convocada depois de o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cancelar o depoimento que prestaria no mesmo dia.
Segundo requerimentos apresentados pelo Partido Novo, Ingrid teria sido destinatária de recursos ilícitos oriundos da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer). A entidade é investigada por descontos indevidos em aposentadorias e pensões de beneficiários do INSS.
As apurações indicam que valores transferidos a Cícero Marcelino de Souza Santos teriam sido posteriormente repassados à mulher, Ingrid. "Tais repasses carecem de justificativa lícita ou contratual, demonstrando que sua participação pode ter sido utilizada para ocultar a destinação final do dinheiro desviado", afirma um dos requerimentos de convocação.
Cícero foi ouvido pela comissão em outubro. Na ocasião, reconheceu que suas empresas mantiveram elevado volume de transações com a Conafer, mas declarou não ter condições de detalhar as movimentações, alegando que a documentação havia sido apreendida pela Polícia Federal (PF).
A CPMI apura um esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas, revelado em abril depois de uma operação conjunta da PF e da Controladoria-Geral da União. Segundo as investigações, as entidades envolvidas teriam cobrado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Mesmo depois de desistir de comparecer à CPMI, Daniel Vorcaro avalia a possibilidade de prestar esclarecimentos ao grupo de trabalho da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.
O colegiado, presidido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), acompanha as investigações sobre a fraude financeira envolvendo o Banco Master e prevê ouvir o empresário na próxima terça-feira, 24.
Inicialmente, Vorcaro seria ouvido pela CPMI nesta segunda-feira, mas optou por não comparecer depois de uma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que tornou facultativa sua presença.