Em delação, ex-dirigentes do INSS entregam Lulinha e políticos, diz site

quarta-feira 25 fevereiro de 2026, às 09h 48min
Em delação, ex-dirigentes do INSS entregam Lulinha e políticos, diz site
Resumo

Acusações de corrupção no INSS avançam com delações de ex-dirigentes Virgílio Oliveira Filho e André Fidelis. Eles mencionam envolvimento do filho do presidente Lula e da ex-deputada Flávia Péres em esquemas ilícitos. Ambos foram acusados de desvio de milhões através de propinas e agora enfrentam processos judiciais, enquanto a defesa de Virgílio nega delação.


Íntegra

Acusações de corrupção no INSS ganham novos desdobramentos com o avanço de delações premiadas de dois ex-dirigentes do órgão federal. Os ex-servidores Virgílio Oliveira Filho e André Fidelis, ambos presos desde 13 de novembro, detalham em seus depoimentos o envolvimento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula (PT), e de diversos políticos, entre eles Flávia Péres (ex-Flávia Arruda), conforme divulgou o portal Metrópoles.

Segundo as investigações, Flávia Péres, que nunca havia tido seu nome ligado ao esquema, é casada com Augusto Lima, ex-executivo do Banco Master e ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro. Os delatores apontam que ela teria atuado em articulações ilícitas no âmbito do INSS. As delações também citam repasses ilegais feitos por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, cuja família passou a ser alvo das apurações, levando-o a considerar colaborar com as autoridades.

Virgílio Filho, ex-procurador do INSS e servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU), é acusado pela Polícia Federal de receber R$ 11,9 milhões de empresas relacionadas a entidades que realizavam descontos indevidos em aposentadorias. Deste valor, R$ 7,5 milhões teriam origem em empresas de Careca do INSS, com parte dos recursos transferida para contas e empresas da esposa de Virgílio, a médica Thaisa Hoffmann Jonasson.

André Fidelis, diretor de Benefícios do INSS nos anos de 2023 e 2024, teria recebido R$ 3,4 milhões em propinas para facilitar descontos automáticos na folha de pagamento dos aposentados. Durante sua gestão, 14 entidades foram habilitadas, promovendo descontos que somaram R$ 1,6 bilhão, conforme relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da CPMI do INSS.

Além dos dois ex-dirigentes, outros envolvidos também enfrentam consequências na Justiça. Eric Fidelis, filho de André, foi preso durante a operação. Entre os bens adquiridos por Virgílio e sua mulher, estão um imóvel de R$ 5,3 milhões em Curitiba e a reserva de um apartamento de R$ 28 milhões em Balneário Camboriú. A defesa de Virgílio Oliveira Filho, representada pela advogada Izabella Borges, nega a existência de acordo de delação.


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