Empresa de Toffoli declara R$ 150 e funciona em casa de fachada, diz jornal

quinta-feira 12 fevereiro de 2026, às 13h 55min
Empresa de Toffoli declara R$ 150 e funciona em casa de fachada, diz jornal
Resumo

O ministro Dias Toffoli, do STF, confirmou sua parceria na Maridt Participações S.A., registrada em um endereço de fachada em Marília (SP). Ele assegurou que os pagamentos da empresa são lícitos. A Maridt, com capital social de R$ 150, é ligada ao Resort Tayayá e administrada por seus irmãos. Investigações indicam possíveis irregularidades em transações com Daniel Vorcaro, do Banco Master.


Íntegra

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou ser sócio da Maridt Participações S.A. De acordo com o portal Metrópoles, a empresa está registrada em uma casa em mau estado de conservação, usada como endereço de fachada em Marília (SP).

Toffoli admitiu a sociedade em nota oficial nesta quinta-feira, 12. Ele afirmou que a origem dos pagamentos recebidos da Maridt é lícita e que declarou os valores à Receita Federal.

Segundo informações da Receita, o capital social da Maridt é de apenas R$ 150, mesmo sendo uma das participantes do Resort Tayayá. Os registros formais da empresa indicam como administradores os irmãos do ministro.

A casa em Marília pertence ao engenheiro José Eugênio Dias Toffoli, irmão do magistrado. Moradores do local relataram à reportagem do jornal O Estado de S. Paulo que desconhecem qualquer atividade empresarial no endereço. A mulher de José Eugênio também disse não saber da participação do marido no empreendimento Tayayá.

"O ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do ministro", diz a nota. "De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e delas receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador."

Conforme o Metrópoles, Toffoli, em conversas com aliados, teria comentado que as referências a pagamentos feitos durante diálogos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, estariam relacionadas às atividades da Maridt.

Fontes da Polícia Federal confirmaram que, na segunda-feira 9, o gabinete de Edson Fachin, presidente do STF, recebeu um documento classificado como "informação de polícia judiciária". O material detalha trocas de mensagens entre Vorcaro e Toffoli.

De acordo com interlocutores, os elementos reunidos seriam suficientes para justificar o afastamento de Toffoli da relatoria do caso envolvendo o Master no STF.


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