Íntegra
Depois da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), deixará a prisão preventiva para cumprir prisão domiciliar.
Ele estava detido desde dezembro, depois de ser alvo da última etapa da Operação Sem Desconto, que investiga desvios no INSS.
O benefício foi concedido depois de a defesa relatar que Michelle Ribeiro Araújo, mulher de Gaspar, enfrenta uma doença grave que demanda cuidados diários.
O ministro destacou que o laudo médico aponta a incapacidade total de Michelle para o trabalho e a necessidade de assistência constante, além de mencionar vídeos que mostram déficits neurológicos.
Em nota ao jornal O Estado de S. Paulo, a defesa de Gaspar negou as acusações e as classificou como "fantasiosas".
Segundo a defesa, Gaspar "apresentará as devidas explicações no momento apropriado, quando for intimado pela PF para prestar esclarecimentos, o que até hoje não aconteceu".
Os advogados reforçaram que o casal é de São Luís e não possui familiares no Distrito Federal. Michelle tem o pai idoso em Macapá e mãe idosa em Petrópolis.
Mendonça havia solicitado perícia da Polícia Federal para avaliar o grau de dependência de Michelle.
O laudo constatou sequelas neurológicas permanentes, incluindo dificuldades de coordenação e equilíbrio.
A Procuradoria-Geral da República manifestou apoio à mudança para prisão domiciliar, ao avaliar que ficou comprovado que Gustavo presta cuidados contínuos à mulher.
O ex-assessor parlamentar permanece proibido de sair do país e não pode manter contato com outros suspeitos investigados.
Segundo a Polícia Federal, Gustavo Gaspar teria pedido à equipe de Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", que abrisse e administrasse uma empresa em seu nome para utilizá-la no suposto esquema.
Em mensagens interceptadas, Careca orientava seu funcionário a se encontrar com Gaspar para entregar "encomendas" ou "impressões", expressões que, segundo a PF, significariam dinheiro em espécie.