Íntegra
O presidente Lula da Silva adotou tom conciliador ao acompanhar o desfile do Galo da Madrugada, neste sábado, 14, no Recife. Em meio ao carnaval, o petista posou para fotos ao lado do prefeito João Campos (PSB) e da governadora Raquel Lyra (PSD).
Apesar do clima festivo, o pano de fundo é eleitoral. Lula tenta evitar conflitos ao não declarar apoio a nenhum dos dois no primeiro turno da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas. Campos lidera pesquisas e pressiona por um gesto público do presidente. Ainda assim, o petista prefere uma solução intermediária, mesmo com a aliança nacional com o PSB, que tem Geraldo Alckmin na vice-presidência.
Lula já conta com o respaldo de Campos para seu projeto político nacional. No entanto, também busca aproximação com Raquel, hoje no PSD de Gilberto Kassab. Em contrapartida, o presidente exige empenho na reeleição do senador Humberto Costa, considerado peça-chave para o Planalto com o enfraquecimento crescente do PT no Nordeste.
Nesse sentido, Lula pediu que tanto Campos quanto Raquel indiquem um segundo nome ao Senado que não ameace o petista. Entre os cotados estão Marília Arraes, Dudu da Fonte, Sílvio Costa Filho e Miguel Coelho. Costa Filho, inclusive, já anunciou que deixará o ministério para disputar a vaga.
A tensão é elevada. Lula chegou a cogitar ausência no desfile para fugir de desconfortos. Contudo, reuniu-se separadamente com os dois adversários e selou trégua provisória. Além da disputa local, o Planalto monitora o desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageará Lula no Rio. A participação da primeira-dama Janja é motivo de apreensão interna.
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, advertiu que festas populares não podem servir de brecha para ilícitos eleitorais. Embora o TSE tenha rejeitado ações por propaganda antecipada, o governo teme excessos.