Íntegra
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) decidiu testar sua popularidade no mercado de consumo urbano ao lançar uma coleção de roupas em parceria com a grife mineira Chico Rei. Com o slogan "moda é manifesto", o movimento que prega o combate ao capitalismo agora estampa sua marca em camisetas que custam R$ 169,90 — valor que pode ser parcelado em até quatro vezes. A empresa de Juiz de Fora (MG) reforça que as peças são 100% veganas, com selo da organização não governamental Peta.
O anúncio da linha gerou reações negativas nas redes sociais da marca. Consumidores da Chico Rei criticaram tanto o posicionamento político quanto o valor das peças, que chegam a R$ 169,90. "Quem lacra não lucra", escreveu um seguidor, enquanto outros manifestaram descontentamento com a presença do número 13, referência ao Partido dos Trabalhadores (PT), na peça mais cara da coleção. "Apoio o MST, mas não apoio o PT", afirmou um dos usuários.
A dirigente nacional do movimento, Tuira Tule, afirma que a parceria busca vencer a "batalha das ideias" no imaginário popular. Para o MST, transformar a roupa em linguagem política ajuda "quebrar estigmas" e "aproximar o campo da cidade"
Enquanto o MST afirma produzir "justiça social", a parceria utiliza o fôlego de uma empresa de grande porte para vender a mística da luta camponesa a preços que flertam com o mercado de luxo acessível.
Segundo a revista Forbes, a Chico Rei registrou faturamento de R$ 35 milhões em 2025, vendendo meio milhão de peças. Além disso, a empresa opera uma unidade fabril dentro da Penitenciária Professor Ariosvaldo Campos Pires, em Juiz de Fora (MG), onde capacita detentos para a produção. A empresa anunciou no Instagram que reverterá ao MST parte do lucro das peças, embora não tenha revelado a porcentagem do repasse.