Íntegra
Esse panorama, segundo o pesquisador sênior do FBSP Leonardo Silva, tem relação com uma mudança de foco na motivação dos crimes. Se antes o valor agregado ao celular era de maior interesse para a revenda ilegal, agora o acesso aos dados da pessoa tem mais "valor" no crime.
Segundo o especialista, em furtos, criminosos tentam manter o aparelho desbloqueado, enquanto nos roubos, a abordagem tem sido mais violenta, muitas vezes com uso de arma de fogo, para coagir a vítima a entregar a senha de desbloqueio ou de aplicativos de banco.
O pesquisador do Fórum explica que, geralmente, o produto fruto de um crime ganha "aparência de legalidade" com uma nota fiscal fraudulenta e é revendido em plataformas de comércio. Há também quadrilhas que exportam esses aparelhos para países da África e da Ásia, onde o Brasil não possui acordos de cooperação de compartilhamento de dados para bloqueio, permitindo que eles continuem funcionando, explica Leonardo.
Iniciativas como a do Governo do Piauí com o programa "Protege Celular" viraram cases de como o poder público pode combater esse problema. O aplicativo desenvolvido pela Segurança Pública do estado permite o usuário cadastrar o IMEI (número de identificação) do seu aparelho para que, em caso de furto ou roubo, a polícia consiga localizá-lo.
Esse modelo, lançado em 2020 e que ajudou a reduzir os crimes no Piauí, inspirou o Celular Seguro do governo federal, lançado três anos depois. Para Leonardo, o mérito do sistema está no desmonte de uma parte importante do problema, que é a destinação e receptação de celulares roubados, e na localização e devolução ao dono legítimo.