Íntegra
Três meses depois da deflagração da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal (PF) ainda não repassou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o conteúdo de 52 celulares apreendidos durante as investigações sobre um esquema bilionário de fraudes no mercado financeiro, tendo o Banco Master como principal foco.
Apesar de a Suprema Corte conduzir o caso, ministros como André Mendonça e Dias Toffoli não tiveram acesso às informações detalhadas dos aparelhos recolhidos.
O inquérito teve, inicialmente, relatoria de Dias Toffoli até 12 de fevereiro, quando André Mendonça assumiu a função. Nenhum dos dois analisou em profundidade os materiais. Paralelamente, a PF produziu um relatório de aproximadamente 200 páginas, cruzando dados sobre possíveis contatos de Toffoli com pessoas do Banco Master.
Em uma reunião restrita, realizada em 12 de fevereiro, dez ministros do STF rejeitaram o relatório apresentado por Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, ao presidente Edson Fachin. O entendimento foi de que o documento é ilegal, sendo classificado como "lixo jurídico" pelo ministro Flávio Dino.
O relatório teria sido elaborado com conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mantém relação tensa com Toffoli desde 2025. A Corte entendeu que a PF ultrapassou sua competência ao investigar o ministro sem autorização judicial, contrariando as normas do foro por prerrogativa de função. Apesar da unanimidade na crítica, não houve sanções ao diretor-geral da PF, e o futuro das consequências permanece indefinido.
O relatório mostrava uma proximidade entre Dias Toffoli e Daniel Vorcaro, mencionando a presença do magistrado em um evento patrocinado pelo Banco Master em Londres, em abril de 2024. O próprio Rodrigues também participou do evento, informação que não constava no relatório, embora fosse pública.
Mesmo com a rejeição do documento, o STF não aplicou punições a Andrei Rodrigues. A investigação sobre o Banco Master começou depois de solicitação do Ministério Público Federal (MPF), que enxergou suspeitas de emissão e venda de títulos de crédito falsificados por instituições do sistema financeiro. O órgão também identificou a circulação de ativos deteriorados para mascarar prejuízos em balanços.