Íntegra
Uma pesquisa do Ranking dos Políticos revelou que parlamentares enxergam de maneira distinta a atuação do Banco Central (BC) e do Supremo Tribunal Federal (STF) no episódio da liquidação do Banco Master. Enquanto a autarquia recebe avaliações majoritariamente positivas, a Corte acumula críticas contundentes, especialmente entre os deputados.
O levantamento mostra que cerca de 70% dos deputados classificaram a atuação do BC como excelente, boa ou regular. No Senado, o índice chegou a 77%.
Por outro lado, o STF enfrenta um cenário completamente diferente. Mais da metade dos deputados classificou a atuação da Corte como ruim ou péssima, sendo que 34,3% escolheram a pior avaliação possível. No Senado, a reprovação também aparece em destaque, com 63% de respostas negativas.
Entre parlamentares de direita, a opção "péssima" dominou: alcançou 75% na Câmara e 83,3% no Senado. No centrão, prevaleceu uma crítica fragmentada, com percentuais semelhantes entre as avaliações regular, ruim e péssima. Na Câmara, 24,1% dos deputados de esquerda atribuíram a pior nota ao STF.
Para o diretor do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, os dados indicam uma preferência clara do Congresso por instâncias técnicas. Segundo ele, a pesquisa mostra que parlamentares enxergam o BC como mais confiável do que o STF, especialmente quando decisões judiciais geram efeitos econômicos sensíveis.
"Mesmo fora do campo ideológico mais crítico, o Supremo não consegue construir uma percepção amplamente positiva", declarou. "Isso sinaliza um incômodo institucional que vai além da polarização política."
Segundo Arruda, o grau de insatisfação pode impulsionar propostas que visam restringir competências do Judiciário. Essas medidas buscariam dar maior previsibilidade às decisões e estabelecer limites à sua atuação em temas econômicos.
Realizado entre 28 de janeiro e 3 de fevereiro, o levantamento ouviu 108 deputados federais de 18 partidos e 30 senadores de 12 siglas. A margem de erro é de 6,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
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