Íntegra
O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou nesta quinta-feira, 26, que o Congresso apura a hipótese de que uma empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tenha sido utilizada como instrumento de lavagem de dinheiro por um grupo criminoso associado ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
Segundo o parlamentar, em entrevista à GloboNews, a linha investigativa busca identificar mecanismos de ocultação de recursos e eventual infiltração no poder público. "A hipótese é de que a empresa tenha sido utilizada para lavar dinheiro do grupo criminoso vinculado ao Banco Master", declarou Vieira, em entrevista à GloboNews.
Na quarta-feira 25, a CPI aprovou a convocação de José Eugênio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli, irmãos do ministro do STF, além da quebra de sigilo da empresa relacionada à família. A comissão pretende ouvi-los sobre supostas relações com a Reag, gestora de fundos apontada como ligada ao Banco Master.
Nesta quinta, o relator do chamado Caso Master no STF, ministro André Mendonça, autorizou que os irmãos não compareçam à CPI. A defesa sustentou que ambos foram convocados na condição de investigados e, por essa razão, teriam o direito de não comparecer.
Alessandro Vieira afirmou que o ministro Dias Toffoli não é alvo direto da CPI. De acordo com o senador, o foco recai sobre os supostos mecanismos de lavagem de dinheiro e possíveis práticas de corrupção associadas ao grupo investigado.
Ainda segundo o relator, a comissão também apura indícios de irregularidades em órgãos de fiscalização, incluindo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e avalia a possibilidade de desdobramentos envolvendo integrantes do Poder Judiciário. "A hipótese final é corrupção".