Sociólogo de esquerda associa Epstein a 'lobby judaico'

quarta-feira 11 fevereiro de 2026, às 13h 33min
Sociólogo de esquerda associa Epstein a 'lobby judaico'
Resumo

O sociólogo Jessé Souza gerou polêmica ao atribuir ao "lobby judaico" o financiamento de Jeffrey Epstein em um vídeo, que foi considerado antissemitismo pela Conib. Após críticas, ele apagou o vídeo e pediu desculpas, mas manteve críticas ao sionismo. A Conib e a Stand With Us Brasil repudiaram suas declarações, destacando a responsabilidade coletiva atribuída aos judeus.


Íntegra

O sociólogo de esquerda Jessé Souza publicou vídeo nas redes em que atribuiu ao "lobby judaico" o financiamento do agressor sexual Jeffrey Epstein. A Confederação Israelita do Brasil (Conib) condenou o conteúdo e classificou as declarações como disseminação de ódio contra judeus.

No vídeo, Souza disse que Epstein seria "o produto mais perfeito do sionismo judaico" e reflexo de um suposto "supremacismo racial judaico e sionista". Ele não apresentou provas.

Depois de repercussão negativa, o sociólogo apagou o vídeo e publicou outro. Pediu desculpas por não ter diferenciado "lobbies sionista e judaico", mas manteve críticas ao sionismo.

Em nota, afirmou repudiar discriminações e disse ter criticado uma "estrutura de poder", não indivíduos. Também mencionou o que chamou de "silêncio" sobre o conflito envolvendo palestinos.

Para a Conib, Souza atribuiu responsabilidade coletiva aos judeus por crimes de Epstein. A entidade afirmou que o novo vídeo mantém ataques, agora direcionados a "sionistas".

Segundo a confederação, o antissemitismo contemporâneo se manifesta sob a forma de antissionismo. A Stand With Us Brasil também publicou uma nota de repúdio ao vídeo do sociólogo.

Jessé Souza presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada no segundo mandato de Dilma Rousseff. É autor de obras como A Elite do Atraso e A Classe Média no Espelho.

No dia 30 de janeiro, a Casa Branca tornou públicas cerca de 3 milhões de páginas ligadas à investigação contra Jeffrey Epstein. Em novembro de 2025, Donald Trump havia sancionado a lei que determinou a divulgação do material. A norma, chamada Epstein Files Transparency Act, foi proposta pelo deputado democrata Ro Khanna, da Califórnia.

Segundo o vice-procurador-geral Todd Blanche, o material inclui mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens, com "grandes quantidades de pornografia comercial".


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