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As taxas dos títulos do Tesouro IPCA de longo prazo avançam na manhã desta quarta-feira (4), reforçando a percepção de maior cautela dos investidores com a ponta longa da curva de juros real em meio à repercussão no mercado da possível indicação do economista Guilherme Mello para uma diretoria do Banco Central.
Segundo a agência Reuters, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encaminha para confirmar as indicações de Mello e de Tiago Cavalcanti.
Na comparação com o fechamento de terça-feira, o destaque negativo fica para o Tesouro IPCA+ 2050, que avançou de 6,94% para 6,99%. Já o IPCA+ 2040 passou a oferecer juro real de 7,34%, ante 7,30% na véspera, enquanto no papel mais longo disponível, com vencimento em 2060 e juros semestrais, a taxa real subiu de 7,10% para IPCA +7,17%.
Esse comportamento contrasta com a relativa estabilidade dos títulos mais curtos. O IPCA+ 2032, por exemplo, teve alta mais contida, de 7,57% para 7,61%, mostrando que o ajuste está concentrado na parte mais longa da curva, onde o mercado costuma embutir prêmios maiores ligados a risco fiscal, institucional e à condução futura da política monetária.
No exterior, o cenário não trouxe alívio adicional nesta manhã. As taxas dos Treasuries de longo prazo operam estáveis, o que indica que o movimento observado no Tesouro Direto tem caráter predominantemente doméstico, ligado à leitura de risco local, e não a uma pressão vinda do mercado internacional.
"O mercado ainda deve monitorar as preocupações em torno dos nomes cogitados para o Banco Central", afirmou Marcio Riauba, head da mesa de operações da StoneX.
Os prefixados, por sua vez, exibem variações marginais nesta quarta. O Prefixado 2029 oscilou de 12,78% para 12,79%, enquanto o Prefixado 2032 permaneceu em 13,41%, reforçando que o foco do estresse segue sendo o juro real de longo prazo.