Tribunal Superior Eleitoral mantém desfile em homenagem a Lula

quinta-feira 12 fevereiro de 2026, às 13h 00min
Tribunal Superior Eleitoral mantém desfile em homenagem a Lula
Resumo

O TSE rejeitou unanimemente ação que tentava proibir o desfile da escola Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula, alegando propaganda eleitoral antecipada. A relatora, ministra Estela Aranha, defendeu a liberdade de manifestação cultural. Contudo, ministros expressaram preocupações sobre possíveis irregularidades e alertaram para fiscalização rigorosa durante o evento. A Justiça Federal também rejeitou ações semelhantes.


Íntegra

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, de forma unânime, a ação que tentava barrar o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Partido Missão e o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) protocolaram a representação com a acusação de propaganda eleitoral antecipada. Embora os magistrados tenham negado a interrupção do evento para evitar censura, o colegiado emitiu alertas severos sobre a possibilidade de ilícitos durante a apresentação.

Segundo o jornal O Globo, a relatora do caso, ministra Estela Aranha, afirmou que as proibições solicitadas configurariam restrição desproporcional ao debate democrático. Segundo a magistrada, o período de pré-campanha permite a formação da opinião pública e o Judiciário não deve restringir manifestações culturais de forma antecipada. A ministra, que chegou à Corte em 2025 por nomeação de Lula, destacou que eventuais irregularidades devem ser julgadas apenas depois de sua ocorrência.

Apesar do voto favorável à realização do desfile, os demais ministros demonstraram preocupação com o conteúdo da homenagem. O ministro André Mendonça acompanhou a relatora, mas ressaltou que a ação apresenta indícios de que o evento pode extrapolar os limites legais. Mendonça advertiu que o uso de "palavras mágicas" ou pedidos explícitos de voto podem caracterizar propaganda irregular e motivar investigações por abuso de poder político, econômico e dos meios de comunicação.

O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva reforçou o entendimento de que a decisão não representa um "salvo-conduto" para o cometimento de crimes. Para o magistrado, a Justiça Eleitoral enfrenta a possibilidade concreta de ilícitos gravíssimos que ultrapassam a esfera administrativa. O tribunal delimitou que a fiscalização será rigorosa logo que a agremiação entrar na avenida com o enredo "Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil".

A decisão do TSE ocorre logo que a Justiça Federal também rejeitou duas ações semelhantes apresentadas pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e por Kim Kataguiri. A senadora ainda aguarda a análise de uma denúncia protocolada no Ministério Público Eleitoral (MPE) sobre o mesmo tema.


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