USP demite professor marxista acusado de assédio

quinta-feira 12 fevereiro de 2026, às 11h 07min
USP demite professor marxista acusado de assédio
Resumo

A reitoria da USP demitiu o professor Alysson Mascaro da Faculdade de Direito devido a denúncias de assédio e abuso sexual. A decisão seguiu uma investigação de quase um ano e um Processo Administrativo Disciplinar que confirmou as acusações. Mascaro, que nega as alegações e alega perseguição, teve sua defesa criticada pelos advogados por supostas irregularidades no processo.


Íntegra

A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) oficializou nesta quarta-feira, 11, a demissão do professor Alysson Mascaro. A decisão, publicada no Diário Oficial do Estado, confirma o desligamento do docente da Faculdade de Direito por causa de denúncias de assédio e abuso sexual. O reitor ratificou a votação da assembleia da faculdade, que decidiu pela saída de Mascaro em dezembro. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

O encerramento do vínculo ocorreu em decorrência de uma investigação que durou quase um ano. A Faculdade de Direito abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) em 12 de fevereiro de 2025, logo que recebeu as primeiras acusações contra o professor. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, as supostas vítimas relataram que Mascaro as atraía ao seu apartamento com a promessa de oferecer conselhos acadêmicos.

Relatos encaminhados à universidade descrevem situações de coação em encontros privados. Uma das vítimas afirmou que o professor a obrigou a ficar de cueca e abraçá-lo sob o pretexto de imitar a relação entre filósofos e discípulos na Grécia Antiga. O relatório final do processo administrativo concluiu que havia materialidade nas denúncias apresentadas. Além da esfera universitária, a polícia investiga o caso a pedido do Ministério Público.

Alysson Mascaro ingressou na Universidade de São Paulo em 2006 como professor associado e possui vasta obra baseada no pensamento marxista. Durante o processo, o docente negou todas as acusações e alegou ser vítima de perseguição cibernética iniciada em 2023. O agora ex-professor recentemente lançou um livro sobre cancelamento digital para reforçar sua tese de defesa.

Os advogados de Mascaro criticaram o ato da reitoria e afirmaram que a universidade conduziu o processo sem respeitar o devido processo legal. A defesa classifica a investigação como um procedimento de "cartas marcadas" e aponta irregularidades, como a falta de descrição adequada dos fatos e falhas na intimação do professor.


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